Archive

Posts Tagged ‘lobo’

O BRAPEL no dia e horário da final da Copa no Brasil em 1950

13 de julho de 2014 1 comentário

A Copa do Mundo reúne grandes estrelas do futebol mundial e toda atenção da mídia esportiva. Literalmente faz o país que sedia o mundial parar. A primeira copa do mundo, em 1950 realizada no Brasil foi uma grande tragédia para a Seleção Brasileira, a segunda de 2014 talvez tenha sido até pior. Muitos apaixonados por futebol já comentam que sentirão falta dos grandes jogos e dos grandes craques que estiveram presentes no país, mas um sentimento diferente do restante do país que é compartilhado por muitos me motivou a escrever este post.

Ontem o Grêmio Esportivo Brasil jogou um amistoso em preparação a série D do Campeonato Brasileiro e ouvindo os comentários dos amigos Xavantes me fizeram parar para pensar que em Pelotas por mais craques e jogos entre grandes seleções mundiais o que vale mesmo é ver seu time do coração jogar, o resto é só enrolação! Lembrei também que a adoração pelos times locais é tanta que nem a final de copa do mundo no Maracanã em 1950 evitou a realização de um BRAPEL no mesmo dia e horário da final do mundial.

No dia 16 de julho de 1950 o BRAPEL de número 146 era realizado no mesmo dia e horário em que a seleção canarinho decidia o título mundial contra a seleção Uruguaia no estádio do Maracanã. A seleção Uruguaia que em Março do mesmo ano em preparação para a copa perdeu para o Xavante em pleno estádio Centenário em Montevidéu.

O BRAPEL de 16 de julho de 1950 marcava mais uma rodada da Liga Pelotense de Futebol (LPF) – a primeira liga de Futebol do estado do Rio Grande do Sul, e fundadora da Federação Gaúcha de Futebol – e como na época não existia transmissão ao vivo pela TV a LPF espalhou uma série de alto-falantes pelo estádio do Bancário (antigo estádio Xavante na década de 20) para que os torcedores tivessem a oportunidade de acompanhar a narração do jogo do Maracanã durante o clássico Pelotense.

O livro A História dos BRA-PEIS [1] relata que o clássico Pelotense teve recorde de público, e que o pavilhão social do estádio do Bancário teve sua lotação máxima. O jogo da seleção no Maracanã começou antes as 14h e 55 minutos. Aproximadamente aos 10 minutos de jogo que decidia a final do mundial o Xavante entrava em campo anulando a força dos alto-falantes que transmitiam o jogo que seria a grande tragédia do futebol brasileiro. Começaria mais um BRAPEL, na época chamado de clássico das multidões.

Enquanto no Rio de Janeiro era encerrado o primeiro tempo, em Pelotas o jogo ainda estava no primeiro tempo indefinido e muito parelho. O Brasil, seleção, abre o placar no Maracanã aos 2 minutos do segundo tempo com Friaça, o título mundial já era comemorado antecipadamente pelos brasileiros no Maracanã. Em Pelotas o Brasil, de Pelotas, empurrado pela torcida volta para o segundo tempo pressionando o time do Pelotas. Darcy, Manoelzinho, Galego e Mortosa deixam a zaga do Pelotas em pânico, pressão total dos negrinhos da estação. Foi então que o inevitável aconteceu e foi assim descrito em [1]:

“Finalmente, o que muitos aureo-cerúleos temiam acontece: aos 10 minutos, Darcy e Galego tabelam na área do Pelotas, Damião rebate fraco e Galego, sempre oportunista, chuta colocado no canto esquerdo de Joãosinho (goleiro do EC Pelotas), abrindo a contagem. A massa Xavante delira, os foguetes voltam a espoucar e as bandeiras rubro-negras tremulam agitadas por uma multidão ensandecida no clímax da euforia. O Pelotas sente o impacto do gol e não consegue se articular por um bom tempo no jogo, do que se vale o Brasil para adorna-se do campo. Os poucos cruzamentos para Pacheco, que era um bom cabeceador, são um a um anulados pela eficiente marcação do zagueiro Táboa, e as avançadas do ponta Bentinho são contidas pela técnica de Tavares, um gigante em campo. O árbitro o inglês Mr. Barrick contém com firmeza as jogadas mais violentas de ambos os lados.”

No Maracanã começaria a tragédia, aos 21 minutos do segundo tempo, o Uruguaio Schiaffino empata a partida. No estádio do Bancário o gol Uruguaio não pareceu preocupar os torcedores e o Pelotas tentava o empate do clássico.

Mais tarde no Maracanã Ghiggia calava 200 mil torcedores com o gol da virada Uruguaia. No estádio do Bancário o árbitro inglês Barrick encerrava o BRAPEL. Festa dos Xavantes (Grêmio Sportivo Brasil) que comemorava o segundo tri campeonato da cidade como se no Rio de Janeiro a final trágica não tivesse ocorrido. Além da comemoração Xavante – jogadores e torcida – o jogador Tejera do EC Pelotas também comemorava, alguns espantados sem entender o motivo, mas tratava-se de um jogador Uruguaio do EC Pelotas que não conteve a felicidade pelo título da seleção de seu país no Maracanã anunciada nos alto-falantes do estádio do Bancário. No dia seguinte Tejera foi mandado embora do clube da avenida depois de tamanha reação em pleno gramado enquanto os Xavantes comemoravam mais um título.

Na copa de 2014 o sentimento acredito que seja parecido, a copa atrapalha a devoção que existe em Pelotas pelo futebol da sua terra. A partir de amanhã (segunda-feira) depois da final da copa entre Alemanha e Argentina tudo voltará ao normal, e o que realmente interessa terá novamente o foco das torcidas apaixonadas de Brasil e Pelotas.

Colecionador Xavante

Colecionador Xavante

Curiosidades:

    Mortosa perdeu uma cobrança de pênalti, o goleiro Joãozinho defendeu com o pé a cobrança do jogador Xavante.
    O estádio do Bancário não tinha cabines para transmissão de rádio. O narrador Luiz Carlos Martínez da Rádio Pelotense se instalou em cima do telhado da Padaria Popular que ficava atrás de um dos gols do Estádio Getúlio Vargas utilizando inclusive a linha telefônica da padaria para a transmissão da BRAPEL.
    O jogador Tejera do EC Pelotas que comemorou o vitória Uruguaia mesmo tendo perdido o título da cidade com o EC Pelotas, era irmão do também
    jogador Tejera que naquele dia formava a dupla de zaga Uruguaia no Maracanã e que se tornara bi-campeão mundial com a Celeste.
    O árbitro Mr. Jack Barrick estava de aniversário no dia da partida.

FICHA DO JOGO:
BRAPEL 146 Brasil 1 x 0 EC Pelotas
Data: 16/07/1950
Local: Praça de Esportes Getúlio Vargas (conhecido como estádio do Bancário)
Arbitragem: Mr. Jack Barrick
Gol: Galego (Brasil)
Equipes:
BRASIL: Caruccio, Táboa, Dário, Tibirica, Seara, Tavares, Mortosa, Manoelzinho, Darcy Magalhães, Galego, Artur.
PELOTAS: Joãozinho, Damião, Spillmann, Nonô, Bexiga, Alegretti, Bentinho, Goldemir, Pacheco, Airton Diogo, Tejera.

#imaginadepoisdacopa

[1] A história dos BRA-PÉIS: Sérgio Augusto Gastal Osório, Mário Gayer do Amaral.
[2] BRAPEL A Rivalidade no sul do Rio Grande. J. Éder.
[3] Colecionador Xavante: http://colecionadorxavante.com.br.

Chacota centenária!

9 de abril de 2011 Deixe um comentário

cha.co.ta s.f. Troça; zombaria
cha.co.te.ar v.t., int. Zombar; troçar

Em 7 de setembro de 1911 nasceu o glorioso clube do povo que desde os primórdios convocava pobres e negros para vestirem o manto vermelho e preto. Alguns anos depois começou a nascer a maior rivalidade futebolística do futebol brasileiro, xavantes e lobos fizeram clássicos inesquecíveis no estádio da Estação, Bento Freitas e avenida. Desde o início chacotear o adversário é um dos grandes prazeres de todo Negrinho da Estação ou Xavantes (mais moderno!).

Nos anos 40 uma declaração de um dirigente adversário deu nome e mascote ao clube do POVO, os XAVANTES! Ganhamos mais citadinos do que eles, mais clássicos, e temos uma tradição no cenário nacional infinitamente maior que a do time que mais cresce no interior. O mesmo time que se intitula de maior estrutura do RS talvez não saiba usá-la a seu favor, acho que nunca andaram de avião. Em 1977 no Torneio Seletivo (narrado a alguns dias pelo ex-presidente Claudio Andrea em uma das reuniões do livro do centenário) o atacante do time da avenida, Torino, oriundo das categorias de base do GEB decidiria o destino dos dois clubes, penalidade a favor dos amarelos e Torino bateria… dizem que ele sorriu para torcida antes de cobrar… cobrou… errou!

Nos últimos anos fizeram um cai-cai em rede nacional, e depois conseguiram a façanha de não ganhar nenhum jogo e ser considerado o Íbis do sul. Teve também a vez em um clássico que a torcida da casa – a amarela – teve que dar espaço á torcida xavante, o famoso salão de festas. Sem contar 2004 (esse é um post a parte).

Os fatos históricos que servem para chacotear os amarelos são quase centenários. Pois bem, chego do trabalho sexta-feira quando resolvo ligar a televisão e me deparo com uma propaganda histórica e que servirá de motivo de chacota aos amarelos por mais cem anos… confiram o vídeo abaixo… os primeiros segundos são os mais importantes…

Alguém lembra mais algum fato? Além é claro do fato de fecharem todo segundo semestre… heheheh.. Cada um com o seu marketing… alguns na placar e lancenet outros tema de novela da globo… isso que e grandeza!