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O BRAPEL no dia e horário da final da Copa no Brasil em 1950

13 de julho de 2014 1 comentário

A Copa do Mundo reúne grandes estrelas do futebol mundial e toda atenção da mídia esportiva. Literalmente faz o país que sedia o mundial parar. A primeira copa do mundo, em 1950 realizada no Brasil foi uma grande tragédia para a Seleção Brasileira, a segunda de 2014 talvez tenha sido até pior. Muitos apaixonados por futebol já comentam que sentirão falta dos grandes jogos e dos grandes craques que estiveram presentes no país, mas um sentimento diferente do restante do país que é compartilhado por muitos me motivou a escrever este post.

Ontem o Grêmio Esportivo Brasil jogou um amistoso em preparação a série D do Campeonato Brasileiro e ouvindo os comentários dos amigos Xavantes me fizeram parar para pensar que em Pelotas por mais craques e jogos entre grandes seleções mundiais o que vale mesmo é ver seu time do coração jogar, o resto é só enrolação! Lembrei também que a adoração pelos times locais é tanta que nem a final de copa do mundo no Maracanã em 1950 evitou a realização de um BRAPEL no mesmo dia e horário da final do mundial.

No dia 16 de julho de 1950 o BRAPEL de número 146 era realizado no mesmo dia e horário em que a seleção canarinho decidia o título mundial contra a seleção Uruguaia no estádio do Maracanã. A seleção Uruguaia que em Março do mesmo ano em preparação para a copa perdeu para o Xavante em pleno estádio Centenário em Montevidéu.

O BRAPEL de 16 de julho de 1950 marcava mais uma rodada da Liga Pelotense de Futebol (LPF) – a primeira liga de Futebol do estado do Rio Grande do Sul, e fundadora da Federação Gaúcha de Futebol – e como na época não existia transmissão ao vivo pela TV a LPF espalhou uma série de alto-falantes pelo estádio do Bancário (antigo estádio Xavante na década de 20) para que os torcedores tivessem a oportunidade de acompanhar a narração do jogo do Maracanã durante o clássico Pelotense.

O livro A História dos BRA-PEIS [1] relata que o clássico Pelotense teve recorde de público, e que o pavilhão social do estádio do Bancário teve sua lotação máxima. O jogo da seleção no Maracanã começou antes as 14h e 55 minutos. Aproximadamente aos 10 minutos de jogo que decidia a final do mundial o Xavante entrava em campo anulando a força dos alto-falantes que transmitiam o jogo que seria a grande tragédia do futebol brasileiro. Começaria mais um BRAPEL, na época chamado de clássico das multidões.

Enquanto no Rio de Janeiro era encerrado o primeiro tempo, em Pelotas o jogo ainda estava no primeiro tempo indefinido e muito parelho. O Brasil, seleção, abre o placar no Maracanã aos 2 minutos do segundo tempo com Friaça, o título mundial já era comemorado antecipadamente pelos brasileiros no Maracanã. Em Pelotas o Brasil, de Pelotas, empurrado pela torcida volta para o segundo tempo pressionando o time do Pelotas. Darcy, Manoelzinho, Galego e Mortosa deixam a zaga do Pelotas em pânico, pressão total dos negrinhos da estação. Foi então que o inevitável aconteceu e foi assim descrito em [1]:

“Finalmente, o que muitos aureo-cerúleos temiam acontece: aos 10 minutos, Darcy e Galego tabelam na área do Pelotas, Damião rebate fraco e Galego, sempre oportunista, chuta colocado no canto esquerdo de Joãosinho (goleiro do EC Pelotas), abrindo a contagem. A massa Xavante delira, os foguetes voltam a espoucar e as bandeiras rubro-negras tremulam agitadas por uma multidão ensandecida no clímax da euforia. O Pelotas sente o impacto do gol e não consegue se articular por um bom tempo no jogo, do que se vale o Brasil para adorna-se do campo. Os poucos cruzamentos para Pacheco, que era um bom cabeceador, são um a um anulados pela eficiente marcação do zagueiro Táboa, e as avançadas do ponta Bentinho são contidas pela técnica de Tavares, um gigante em campo. O árbitro o inglês Mr. Barrick contém com firmeza as jogadas mais violentas de ambos os lados.”

No Maracanã começaria a tragédia, aos 21 minutos do segundo tempo, o Uruguaio Schiaffino empata a partida. No estádio do Bancário o gol Uruguaio não pareceu preocupar os torcedores e o Pelotas tentava o empate do clássico.

Mais tarde no Maracanã Ghiggia calava 200 mil torcedores com o gol da virada Uruguaia. No estádio do Bancário o árbitro inglês Barrick encerrava o BRAPEL. Festa dos Xavantes (Grêmio Sportivo Brasil) que comemorava o segundo tri campeonato da cidade como se no Rio de Janeiro a final trágica não tivesse ocorrido. Além da comemoração Xavante – jogadores e torcida – o jogador Tejera do EC Pelotas também comemorava, alguns espantados sem entender o motivo, mas tratava-se de um jogador Uruguaio do EC Pelotas que não conteve a felicidade pelo título da seleção de seu país no Maracanã anunciada nos alto-falantes do estádio do Bancário. No dia seguinte Tejera foi mandado embora do clube da avenida depois de tamanha reação em pleno gramado enquanto os Xavantes comemoravam mais um título.

Na copa de 2014 o sentimento acredito que seja parecido, a copa atrapalha a devoção que existe em Pelotas pelo futebol da sua terra. A partir de amanhã (segunda-feira) depois da final da copa entre Alemanha e Argentina tudo voltará ao normal, e o que realmente interessa terá novamente o foco das torcidas apaixonadas de Brasil e Pelotas.

Colecionador Xavante

Colecionador Xavante

Curiosidades:

    Mortosa perdeu uma cobrança de pênalti, o goleiro Joãozinho defendeu com o pé a cobrança do jogador Xavante.
    O estádio do Bancário não tinha cabines para transmissão de rádio. O narrador Luiz Carlos Martínez da Rádio Pelotense se instalou em cima do telhado da Padaria Popular que ficava atrás de um dos gols do Estádio Getúlio Vargas utilizando inclusive a linha telefônica da padaria para a transmissão da BRAPEL.
    O jogador Tejera do EC Pelotas que comemorou o vitória Uruguaia mesmo tendo perdido o título da cidade com o EC Pelotas, era irmão do também
    jogador Tejera que naquele dia formava a dupla de zaga Uruguaia no Maracanã e que se tornara bi-campeão mundial com a Celeste.
    O árbitro Mr. Jack Barrick estava de aniversário no dia da partida.

FICHA DO JOGO:
BRAPEL 146 Brasil 1 x 0 EC Pelotas
Data: 16/07/1950
Local: Praça de Esportes Getúlio Vargas (conhecido como estádio do Bancário)
Arbitragem: Mr. Jack Barrick
Gol: Galego (Brasil)
Equipes:
BRASIL: Caruccio, Táboa, Dário, Tibirica, Seara, Tavares, Mortosa, Manoelzinho, Darcy Magalhães, Galego, Artur.
PELOTAS: Joãozinho, Damião, Spillmann, Nonô, Bexiga, Alegretti, Bentinho, Goldemir, Pacheco, Airton Diogo, Tejera.

#imaginadepoisdacopa

[1] A história dos BRA-PÉIS: Sérgio Augusto Gastal Osório, Mário Gayer do Amaral.
[2] BRAPEL A Rivalidade no sul do Rio Grande. J. Éder.
[3] Colecionador Xavante: http://colecionadorxavante.com.br.

Vídeos inesquecíveis! BRApel 319

23 de julho de 2012 2 comentários

Passei algumas fitas VHS da década de 90 para dvd e começo aos poucos a passar estas relíquias para o blog. O primeiro vídeo é de uma reportagem do Jornal do Almoço da RBSTV antes da realização do BRApel 319 que aconteceu em 24.4.1994.

Dados do jogo:

BRAPEL 319 – 24/04/1994
BRASIL 0 x 0 EC Pelotas

BRASIL: Cássio, Paulo Roberto, Silva, Rogério Camaquã e Clausemir, Marco Aurélio, Lúvio e Cleber (Netinho), Bira e Sassia (Martins). Técnico Ceará.

PELOTAS:João Scherer, Bruno, Eugênio, Paulo Ricardi e Gilmar, Élton, Túlio, Luís Carlos Gaúcho e Pianelli. Técnico Paulo Sérgio Poletto.

A obra dos meus sonhos – “O livro do centenário”

27 de julho de 2011 2 comentários

Este blog foi criado para escrever ao longo do tempo sobre curiosidades e principalmente sobre a história do Grêmio Esportivo Brasil. Comecei fazendo o post sobre a origem (A origem e fundação do Grêmio Esportivo Brasil) do clube do povo de Pelotas, “os Negrinhos da Estação!”.

Após, comecei algumas pesquisas sobre o primeiro campeonato gaúcho realizado em 1919>. Tive a oportunidade de ver uma publicação da época (jornal Correio do Povo) falando do jogo e falando do nosso GEB, time de operários que goleou o Grêmio Porto-Alegrense time da burguesia da capital do estado. E porque parei?

Por iniciativa do nosso querido ex-presidente Cláudio de Andréa e fomentado pela Associação Cresce Xavante surgiu a idéia de formar uma comissão para escrever e colocar a história do GEB na forma de um livro. Surgia naquele momento (19 de janeiro de 2011) o início da obra literária mais esperada da minha vida.

Desde a formação da comissão até a data de hoje estamos com os textos praticamente prontos (não vou citar os nomes porque além de esquecer de alguém vou deixar os leitores na expectativa!). Com o saldo de aproximadamente 300 emails trocados entre os integrantes da comissão, vários telefonemas, e muitas pesquisas, e depois de 16 páginas de mensagens no Fórum Xavante atrás de materiais, começou a montagem do livro.

Temos textos de pessoas ilustres da mídia do estado e principalmente temos textos feitos por nada mais nada menos que torcedores XAVANTES, pessoas que vivem esse espírito de luta, essa religião. Foi escrito com paixão! Cada texto e cada foto comprova que há 100 anos somos grandes nos feitos dentro de campo e nas arquibancadas. Recebemos muitas contribuições de fotos, flâmulas, moedas comemorativas, jornais, materiais diversos de muitos torcedores. Materiais estes que são guardados como relíquias, pois tratam da maior paixão futebolística deste estado. Obrigado a todos! Ainda precisamos de fotos mais atuais, década de 90 principalmente, fotos de execursões, envie a sua!

Dou a minha pequena contribuição para que esse projeto saia para que meus filhos (que ainda não tenho) no futuro possam olhar, se emocionar e se empolgar com os feitos do passado da mesma maneira que eu me emocionei quando conheci a história deste clube.

O projeto está descrito no site oficial do Cresce Xavante – (http://www.crescexavante.com/texto/menu–projetos–livro-do-centenario). Divulgue!!

Abaixo a foto da contra-capa do livro Grêmio Esportivo Brasil, A história com fatos e fotos de uma paixão genuinamente “Rubro-Negra”, do autor Adilson Garcia do Santos de 1997.

A história com fatos e fotos de uma paixão genuinamente "Rubro-Negra", do autor Adilson Garcia do Santos de 1997

A história com fatos e fotos de uma paixão genuinamente "Rubro-Negra", do autor Adilson Garcia do Santos de 1997

Ponto turístico XAVANTE em Porto Alegre

23 de janeiro de 2011 Deixe um comentário

Após localizar o local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil estou tentando localizar outros pontos obrigatórios que todo XAVANTE deve conhecer. Reviver alguns fatos históricos do clube do povo de Pelotas fica difícil quando não estamos morando na terrinha.

Após cinco anos morando em Porto Alegre descobri um local bem interessante que todo XAVANTE deverá visitar quando vier a Porto Alegre. Trata-se da história do futebol gaúcho e principalmente do GEB.

Exatamente na esquina da Avenida Goethe com a Rua Mostardeiro ao lado do famoso Parcão, temos um “monumento” que passa despercebido pela maioria dos Porto Alegrenses e apaixonados por futebol.

Placa comemorativa ao 90° aniversário do Grêmio, homenagem ao antigo estádio Fortim da Baixada utilizado pelo time até 1954, o salão de festa XAVANTE. Foto Blog Paixão Xavante.

Placa comemorativa ao 90° aniversário do Grêmio, homenagem ao antigo estádio Fortim da Baixada utilizado pelo time até 1954, o salão de festa XAVANTE. Foto Blog Paixão Xavante.

Placa no monumento ao Fortim da Baixada antigo estádio do Grêmio. Foto Blog Paixão Xavante.

Placa no monumento ao Fortim da Baixada antigo estádio do Grêmio. Foto Blog Paixão Xavante.

Neste local em 1919 saiu vencedor o Grêmio Esportivo Brasil na final do primeiro campeonato gaúcho da história, neste local grandiosos e guerreiros XAVANTES conquistaram para a cidade de Pelotas este valioso título. Abaixo fotos retiradas do Blog Moinhos ZH. Portanto quando estiver andando por Porto Alegre, indo ao Parcão ou descendo a Mostardeiro lembre-se o time da estação esteve ali e sagrou-se campeão estadual. Em breve material completo deste match.

Reprodução Blog Moinhos ZH: http://wp.clicrbs.com.br/zhmoinhos

Reprodução Blog Moinhos ZH: http://wp.clicrbs.com.br/zhmoinhos

Tire uma foto com a camisa do XAVANTE neste local e mande para o blog! As fotos serão publicadas!

Pesquisa e agradecimentos

10 de janeiro de 2011 2 comentários

O ano do centenário deste clube tão amado por todos na cidade de Pelotas e em todo o estado do Rio Grande do Sul faz com que algumas pesquisas e novos fatos sejam revelados ou descobertos, uma forma de renovação dos votos de torcedores e simpatizantes do futebol. Muitos fatos da história XAVANTE são facilmente lembrados, o primeiro campeonato gaúcho (1919), os BRApeis (2004), a construção do Bento Freitas (1943), mas poucos se perguntam onde foi o “marco zero”, o local onde aqueles abenegados rapazes resolveram criar umas das maiores paixões futebolísticas do mundo.

Começou então a busca pela casa de número 56 da Rua Santa Cruz em Pelotas. A Rua Santa Cruz é uma das mais antigas da cidade de Pelotas porém de pouca relevância social na rica Pelotas de antigamente, sua extensão começa nas proximidades do canal São Gonçalo até uns 100m adiante da Avenida Bento Gonçalves (descrito em [ Blog: Pelotas, Capital Cultural]).

O curioso é que a rua começa na zona portuária da cidade com um portão que separa a rua de um terreno à beira do Canal São Gonçalo onde a primeira casa tem a numeração 441. Percorrendo a extensão da mesma percebe-se que não existe numeração mais baixa. Segundo o blog Pelotas, Capital Cultural nos anos 70 a Rua Santa Cruz sofreu alteração em sua numeração para acompanhar o crescimento da cidade.

Através do contato com o historiador Mário Osório Magalhães foi consultada uma lista telefônica da década de 30, onde a numeração da rua ainda estava intacta. O primeiro prédio que aparece na Rua Santa Cruz (com telefone) é o de número 55; o seguinte, de número 104, era público: pertencia à Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos podendo-se concluir que a numeração começava na região sul, zona do Porto, como ainda hoje.

Em paralelo a consulta ao registro de imóveis o Sr. Francisco Antônio Vidal responsável pelo blog Pelotas, Capital Cultural fez uma importante descoberta encontrando o antigo número 105 entre as Ruas Benjamin Constant e Conde de Porto Alegre (uma placa que não foi removida nos últimos 40 anos).

Do outro lado da rua oposta ao prédio do SANEP uma placa da antiga numeração da Rua Santa Cruz, número 105.

Do outro lado da rua oposta ao prédio do SANEP uma placa da antiga numeração da Rua Santa Cruz, número 105.

Do outro lado do antigo número 105 o prédio onde hoje funciona o SANEP, ou seja, o antigo prédio 104 onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos. Pode-se assim isolar o possível local da casa de número 56, ficando entre as Ruas João Manoel e Conde de Porto Alegre.

Foto do atual prédio do SANEP, o antigo prédio 104 da Rua Santa Cruz onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos.

Foto do atual prédio do SANEP, o antigo prédio 104 da Rua Santa Cruz onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos.

O prédio de número 55 era de propriedade do Sr. Antonio Alves Crugera, de acordo com consulta ao SMUMA de Pelotas. Também no SMUMA descobriu-se que o antigo número 55 é o atual 623 e 625. Para confirmar a localização do número 56 da Rua Santa Cruz foi feita uma consulta ao registro de imóveis da cidade para localizar a moradia de José Moreira de Brito, pai de Salustiano Brito, onde relatos históricos dizem que em sua propriedade aconteceu a reunião de fundação do Grêmio Esportivo Brasil.

Atuais números 623 e 625, os quais na época equivalem ao número 55. A casa verde ao lado era a de número 57 da Rua Santa Cruz, atual 631.

Atuais números 623 e 625, os quais na época equivalem ao número 55. A casa verde ao lado era a de número 57 da Rua Santa Cruz, atual 631.

No registro de imóveis (REGISTRO DE IMÓVEIS, 1.ª ZONA, Pelotas – RS. Livro 3L folha 205 número 16944; 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3D folha 57 número 4452; 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3F folha 81 número 9785.) confirmou-se que José Moreira de Brito era proprietário de uma chácara no número 58 e não 56. A casa de número 56 pertenceu ao Sr. Dioclécio dos Santos, no entanto não se tem detalhes da localização.

O primeiro registro encontrado da casa do Sr. José Moreira de Brito foi quando o mesmo vendeu a propriedade para a prefeitura de Pelotas em 1921. Na descrição da venda é relatada com exatidão a sua localização:

“Uma chacara, situada nesta cidade, no quadro de terreno formado pelas ruas Conde de Porto Alegre, ao Norte; Rua Barroso, a Leste; João Manoe,l ao Sul; e Santa Cruz, a Oeste; por onde o terreno tem sua frente, que essa chacara arborizada, esta cercada por uma cerca de espinho e arame farpado; que dentro da referida chacarsa e tambem de propriedade dos transmitententes, existem duas casas, uma de tijolos, com quatro aberturas de frente, pela rua Santa Cruz, numero 58 e que tem sido a casa de moradia dos transmitentes, outra ainda por acabar, construida por cimento armado de frente pela rua João Manoel; que no referido terreno, segundo as medições tomadas pelos transmitentes mede noventa e dois metros e cinquenta centimetros de largura (92m50), pela Rua Conde de Porto Alegre, por cento e quatorze metros e cinquenta centimentos de comprimento (114m50) pela rua Barroso”

O famoso número 58 da Rua Santa Cruz está localizado atualmente na antiga fábrica de óleos Sorol Olvebra. A casa de número 56 pelas descrições do registro de imóveis ficaria na quadra onde hoje tem início a Rua Santa Cruz e atualmente funciona um estacionamento da fábrica de cimento CIMPOR (Rua Santa Cruz com João Manoel). Idependente do número onde foi realizada a reunião de fundação do Grêmio Esportivo Brasil é momento de prestigiarmos o local como sendo um dos pontos turísticos de nossa Princesa do Sul.

Esquina da Rua Santa Cruz com Rua Conde de Porto Alegre, local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil, antigo número 58.

Esquina da Rua Santa Cruz com Rua Conde de Porto Alegre, local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil, antigo número 58.

CLIQUE AQUI PARA VER UM ALBUM DE FOTOS DA RUA SANTA CRUZ!

Agradecimentos:

– Denisia Freitas: minha mãe, a qual percorreu cartórios e orgãos públicos de Pelotas na busca da história do clube do povo.
– Francisco Antônio Vidal: da equipe do blog Pelotas, Capital Cultural com valiosas informações e investigações. http://pelotascultural.blogspot.com/
– Mário Osório Magalhães: pela pesquisa realizada em uma lista telefônica dos anos 30.
– Lara Bohm (Molina): integrante do Fórum Xavante a qual passou valiosos contatos.
– Xavante Munhoso: integrante do Fórum Xavante, e incentivador da história rubro-negra. http://xavantemunhoso.blogspot.com/

A origem e fundação do Grêmio Esportivo Brasil

1 de janeiro de 2011 9 comentários

Tudo começou com a chegada de Leopoldo Haertel a cidade de Pelotas. Nascido em Porto Alegre em 1862 Haertel iniciou a fabricação de cervejas com o Sr. Bapp em Porto Alegre e em 1889 instalou em Pelotas a fábrica da Cervejaria Sul Rio-Grandense, ou popularmente conhecida como Cervejaria Haertel. Na época eram fabricados cervejas, águas minerais e gasosas, gelo e sifões [2].

Uma das principais cervejarias do país na época instalada em Pelotas

A cervejaria que deu origem ao Grêmio Esportivo Brasil

Sr. Leopoldo Haertel

Sr. Leopoldo Haertel

As instalações desta fábrica tiveram um incentivo da outra cervejaria já instalada na cidade, a Cervejaria Ritter, mediante empréstimo de 600 mil reis. O primeiro endereço da Cervejaria Sul-Rio-Grandense foi a Rua Conde de Porto Alegre, 44, na zona do porto em Pelotas. De acordo com [1] em 1914 e 1915 foram construídos os novos escritórios da cervejaria, voltados para a Rua Benjamin Constant com entrada pelo número 51, e um prédio de cinco pavimentos junto a Rua José do Patrocínio. Anos mais tarde segundo [3] a Cervejaria Haertel foi vendida a Cervejaria Ritter.

Prédio Cervejaria Haertel

Prédio Cervejaria Haertel

Cervejaria Haertel Foto: Blog Paixão Xavante

Condições atuais do prédio Cervejaria Haertel

Localização e coordenadas GoogleMaps: -31.781178,-52.336534
Link: Clique aqui

Na época (1911) era comum que os funcionários das fabricas de Pelotas se reunissem para praticar o futebol, ou foot-ball como era chamado. O esporte recém chegado em Pelotas (a primeira exibição de futebol na cidade foi em 1901 [11]) ganhava cada vez mais adeptos. Na Cervejaria Haertel não era diferente, pelos registros históricos os funcionários da fábrica mantinham uma agremiação denominada de Sport Club Cruzeiro do Sul a qual a sede social (campo) ficava localizada ao lado da fábrica [4], provavelmente na Rua Conde de Porto Alegre número 44. Apesar dos registros citarem o clube mantido por funcionários da fábrica o mesmo não disputava nenhum torneio da Liga Pelotense de Amadores de Desportos (L.P.A.D), que foi criada em 1907 e que em 1923 mudou o nome para Liga Pelotense de Futebol (LPF) [5].

Certo dia enquanto alguns jogadores do Sport Club Cruzeiro do Sul chegavam para praticar futebol na sede da agremiação outros colaboradores estavam a construir uma cerca em volta do campo. À medida que os jogadores chegavam para treinar os que estavam construindo a cerca exigiram que os ajudassem impedindo que o treino de foot-ball acontecesse. Dois jogadores indignados por não terem direito de praticar o recém chegado esporte resolveram sair da sede do Cruzeiro do Sul, estes dois jogadores eram Breno Corrêa da Silva e Salustiano Brito. Ambos saíram do frustrado treino caminhando pelo centro da cidade discutindo a idéia de fundar um novo clube de futebol e então marcaram algumas reuniões que aconteceram na casa do pai de Salustiano Brito, o senhor José Moreira de Brito, na Rua Santa Cruz número 56. E em 7 de setembro de 1911 após assembléia nesta localidade foi fundado o Grêmio Sportivo Brasil (grafia da época) ou Grêmio Esportivo Brasil, nome dado em homenagem a data de independência do país [4].

Até o presente momento todos os relatos retratam a reunião de fundação do Grêmio Esportivo Brasil ocorrida no prédio de número 56 da Rua Santa Cruz. No entanto ao tentar localizar o prédio onde aconteceu a reunião de fundação do clube foram constatados alguns fatos interessantes resultando em uma divergência no exato local onde se reuniram os abnegados rapazes pelotenses. A casa do Sr. José Moreira de Brito, pai de Salustiano Brito foi a de número 58 (segundo [7,8], registros de 1921) na Rua Santa Cruz. O conhecido endereço de número 56 da Rua Santa Cruz pertenceu ao Sr. Dioclécio dos Santos (registro de 1909, sem muitos detalhes de localização [9]), provavelmente ao lado da casa de número 58, não sabendo qual a relação do mesmo com a família Brito. As pesquisas da localização do prédio de fundação do GEB revelaram onde ocorreram as reuniões para fundação do Grêmio Esportivo Brasil em 1911. Os documentos obtidos nos registros de imóveis descrevem a casa de número 58 propriedade do Sr. José Moreira de Brito na Rua Santa Cruz da seguinte maneira (descrição referente à venda do terreno ocorrida em 19/07/1921 [7]):

“Uma chacara, situada nesta cidade, no quadro de terreno formado pelas ruas Conde de Porto Alegre, ao Norte; Rua Barroso, a Leste; João Manoe,l ao Sul; e Santa Cruz, a Oeste; por onde o terreno tem sua frente, que essa chacara arborizada, esta cercada por uma cerca de espinho e arame farpado; que dentro da referida chacarsa e tambem de propriedade dos transmitententes, existem duas casas, uma de tijolos, com quatro aberturas de frente, pela rua Santa Cruz, numero 58 e que tem sido a casa de moradia dos transmitentes, outra ainda por acabar, construida por cimento armado de frente pela rua João Manoel; que no referido terreno, segundo as medições tomadas pelos transmitentes mede noventa e dois metros e cinquenta centimetros de largura (92m50), pela Rua Conde de Porto Alegre, por cento e quatorze metros e cinquenta centimentos de comprimento (114m50) pela rua Barroso”

Rua Santa Cruz, Pelotas, Rio Grande do Sul. Local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil em 7 de setembro de 1911. Foto: Blog Paixão Xavante

Rua Santa Cruz, Pelotas, Rio Grande do Sul. Local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil em 7 de setembro de 1911. Foto: Blog Paixão Xavante

O famoso número 58 da Rua Santa Cruz está localizado atualmente na antiga fábrica de óleos Sorol Olvebra (construção à esquerda da foto). A casa de número 56 pelas descrições do registro de imóveis ficaria na quadra onde hoje tem início a Rua Santa Cruz e atualmente funciona um estacionamento da fábrica de cimento CIMPOR (Rua Santa Cruz com João Manoel).

Localização e coordenadas GoogleMaps: -31.780663,-52.342484
Link GoogleMaps: Clique aqui.

Após algumas reuniões na chácara de número 58 da Rua Santa Cruz foi formada a primeira diretoria com Dario Feijó, presidente (foto abaixo, obtida em [12]); Silvio Corrêa da Silva, vice; Walter Pereira, 1º secretário; Raymundo do Rego, tesoureiro; Breno Corrêa, adjunto; e os diretores Manoel Joaquim Machado, Ulysses Carneiro, Manoel de Souza, Nicolau Nunes, Paulo Castro e Mário Reis [4].

Dario Feijó, primeiro presidente do Grêmio Esportivo Brasil em 1911.

Dario Feijó, primeiro presidente do Grêmio Esportivo Brasil em 1911.

O clube por ter sido criado na data de independência do país teve como cores iniciais o verde e amarelo. Quando os novos dirigentes saíram às ruas com o livro de ouro, a fim de arrecadar fundos para a compra das camisetas, eles encontraram um comerciante português que mudaria as cores – e conseqüentemente a história – do Grêmio Esportivo Brasil [4]. Era Manoel Aires Filho, o Maneca (existe uma certa confusão em relação a este nome histórico, algumas revistas esportivas antigas citam na mesma página dois nome distintos para se referir a mesma pessoa, Manoel Ayres Júnior e Manoel Ayres Filho, parece se tratar da mesma pessoa que em 1912 foi presidente do clube), fã do clube social de Pelotas chamado Diamantinos, e ofereceu aos rapazes custear os uniformes do novo clube desde que o clube adotasse novas cores, o vermelho e preto (cores do clube Diamantinos) [10]. Surgia o manto RUBRO-NEGRO!

Bibliografia:
[1] http://www.cervisiafilia.com.br/antigacerv/haerthel.html
[2] http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g41g.htm
[3] http://imagenshistoricas.blogspot.com/2009/11/fotos-antigas-de-pelotas.html
[4] http://www.gebrasil.com.br/clube/historia.php
[5] http://www.ligapelotense.com.br/lpf
[6] http://pelotascultural.blogspot.com/2009/03/rua-santa-cruz-inicio-e-fim.html
[7] REGISTRO DE IMÓVEIS, 1.ª ZONA, Pelotas – RS. Livro 3L folha 205 número 16944.
[8] 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3D folha 57 número 4452.
[9] 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3F folha 81 número 9785.
[10] http://www.gebrasil.com.br/noticias/noticias-detalhe.php?id=54
[11] Eliseu de Mello Alves, O futebol em Pelotas 1901-1941. Volume 1, 1984.
[12] Carlos Insaurriaga. Fotógrafo Grêmio Esportivo Brasil.

O primeiro campeão gaúcho – parte II

25 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Seguindo a série histórica sobre as informações do primeiro campeonato gaúcho… um pequeno trecho…

Correio do Povo - 11 de novembro de 1919

Correio do Povo - 11 de novembro de 1919

Estou levantando mais informações deste jogo e do adversário para apresentar uma “matéria” bem completa deste grande match de 1919! Clique na figura para ampliá-la.