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Pesquisa e agradecimentos

O ano do centenário deste clube tão amado por todos na cidade de Pelotas e em todo o estado do Rio Grande do Sul faz com que algumas pesquisas e novos fatos sejam revelados ou descobertos, uma forma de renovação dos votos de torcedores e simpatizantes do futebol. Muitos fatos da história XAVANTE são facilmente lembrados, o primeiro campeonato gaúcho (1919), os BRApeis (2004), a construção do Bento Freitas (1943), mas poucos se perguntam onde foi o “marco zero”, o local onde aqueles abenegados rapazes resolveram criar umas das maiores paixões futebolísticas do mundo.

Começou então a busca pela casa de número 56 da Rua Santa Cruz em Pelotas. A Rua Santa Cruz é uma das mais antigas da cidade de Pelotas porém de pouca relevância social na rica Pelotas de antigamente, sua extensão começa nas proximidades do canal São Gonçalo até uns 100m adiante da Avenida Bento Gonçalves (descrito em [ Blog: Pelotas, Capital Cultural]).

O curioso é que a rua começa na zona portuária da cidade com um portão que separa a rua de um terreno à beira do Canal São Gonçalo onde a primeira casa tem a numeração 441. Percorrendo a extensão da mesma percebe-se que não existe numeração mais baixa. Segundo o blog Pelotas, Capital Cultural nos anos 70 a Rua Santa Cruz sofreu alteração em sua numeração para acompanhar o crescimento da cidade.

Através do contato com o historiador Mário Osório Magalhães foi consultada uma lista telefônica da década de 30, onde a numeração da rua ainda estava intacta. O primeiro prédio que aparece na Rua Santa Cruz (com telefone) é o de número 55; o seguinte, de número 104, era público: pertencia à Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos podendo-se concluir que a numeração começava na região sul, zona do Porto, como ainda hoje.

Em paralelo a consulta ao registro de imóveis o Sr. Francisco Antônio Vidal responsável pelo blog Pelotas, Capital Cultural fez uma importante descoberta encontrando o antigo número 105 entre as Ruas Benjamin Constant e Conde de Porto Alegre (uma placa que não foi removida nos últimos 40 anos).

Do outro lado da rua oposta ao prédio do SANEP uma placa da antiga numeração da Rua Santa Cruz, número 105.

Do outro lado da rua oposta ao prédio do SANEP uma placa da antiga numeração da Rua Santa Cruz, número 105.

Do outro lado do antigo número 105 o prédio onde hoje funciona o SANEP, ou seja, o antigo prédio 104 onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos. Pode-se assim isolar o possível local da casa de número 56, ficando entre as Ruas João Manoel e Conde de Porto Alegre.

Foto do atual prédio do SANEP, o antigo prédio 104 da Rua Santa Cruz onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos.

Foto do atual prédio do SANEP, o antigo prédio 104 da Rua Santa Cruz onde funcionava a Rede Hidráulica no Almoxarifado Central e à Seção de Reclamações de Águas e Esgotos.

O prédio de número 55 era de propriedade do Sr. Antonio Alves Crugera, de acordo com consulta ao SMUMA de Pelotas. Também no SMUMA descobriu-se que o antigo número 55 é o atual 623 e 625. Para confirmar a localização do número 56 da Rua Santa Cruz foi feita uma consulta ao registro de imóveis da cidade para localizar a moradia de José Moreira de Brito, pai de Salustiano Brito, onde relatos históricos dizem que em sua propriedade aconteceu a reunião de fundação do Grêmio Esportivo Brasil.

Atuais números 623 e 625, os quais na época equivalem ao número 55. A casa verde ao lado era a de número 57 da Rua Santa Cruz, atual 631.

Atuais números 623 e 625, os quais na época equivalem ao número 55. A casa verde ao lado era a de número 57 da Rua Santa Cruz, atual 631.

No registro de imóveis (REGISTRO DE IMÓVEIS, 1.ª ZONA, Pelotas – RS. Livro 3L folha 205 número 16944; 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3D folha 57 número 4452; 2° REGISTRO DE IMÓVEIS, Pelotas – RS. Livro 3F folha 81 número 9785.) confirmou-se que José Moreira de Brito era proprietário de uma chácara no número 58 e não 56. A casa de número 56 pertenceu ao Sr. Dioclécio dos Santos, no entanto não se tem detalhes da localização.

O primeiro registro encontrado da casa do Sr. José Moreira de Brito foi quando o mesmo vendeu a propriedade para a prefeitura de Pelotas em 1921. Na descrição da venda é relatada com exatidão a sua localização:

“Uma chacara, situada nesta cidade, no quadro de terreno formado pelas ruas Conde de Porto Alegre, ao Norte; Rua Barroso, a Leste; João Manoe,l ao Sul; e Santa Cruz, a Oeste; por onde o terreno tem sua frente, que essa chacara arborizada, esta cercada por uma cerca de espinho e arame farpado; que dentro da referida chacarsa e tambem de propriedade dos transmitententes, existem duas casas, uma de tijolos, com quatro aberturas de frente, pela rua Santa Cruz, numero 58 e que tem sido a casa de moradia dos transmitentes, outra ainda por acabar, construida por cimento armado de frente pela rua João Manoel; que no referido terreno, segundo as medições tomadas pelos transmitentes mede noventa e dois metros e cinquenta centimetros de largura (92m50), pela Rua Conde de Porto Alegre, por cento e quatorze metros e cinquenta centimentos de comprimento (114m50) pela rua Barroso”

O famoso número 58 da Rua Santa Cruz está localizado atualmente na antiga fábrica de óleos Sorol Olvebra. A casa de número 56 pelas descrições do registro de imóveis ficaria na quadra onde hoje tem início a Rua Santa Cruz e atualmente funciona um estacionamento da fábrica de cimento CIMPOR (Rua Santa Cruz com João Manoel). Idependente do número onde foi realizada a reunião de fundação do Grêmio Esportivo Brasil é momento de prestigiarmos o local como sendo um dos pontos turísticos de nossa Princesa do Sul.

Esquina da Rua Santa Cruz com Rua Conde de Porto Alegre, local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil, antigo número 58.

Esquina da Rua Santa Cruz com Rua Conde de Porto Alegre, local de fundação do Grêmio Esportivo Brasil, antigo número 58.

CLIQUE AQUI PARA VER UM ALBUM DE FOTOS DA RUA SANTA CRUZ!

Agradecimentos:

– Denisia Freitas: minha mãe, a qual percorreu cartórios e orgãos públicos de Pelotas na busca da história do clube do povo.
– Francisco Antônio Vidal: da equipe do blog Pelotas, Capital Cultural com valiosas informações e investigações. http://pelotascultural.blogspot.com/
– Mário Osório Magalhães: pela pesquisa realizada em uma lista telefônica dos anos 30.
– Lara Bohm (Molina): integrante do Fórum Xavante a qual passou valiosos contatos.
– Xavante Munhoso: integrante do Fórum Xavante, e incentivador da história rubro-negra. http://xavantemunhoso.blogspot.com/

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  1. Gilberto Viola
    15 de janeiro de 2011 às 7:05 pm

    Parabens e muito agradecido pela pesquisa… com base solidas do passado teremos futuro !!

  2. Júlio Brauner
    23 de janeiro de 2011 às 12:59 am

    Grande trabalho de recuperação da nossa história. Juliano, cumprimentos e abração por este resgate.

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